quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Condenado a 120 euros por dar bofetada na filha



O Tribunal Criminal de Braga condenou um pai, Ilídio, Pires Costa, ao pagamento de 120 euros, por considerar que a estalada que este deu à filha «causou dor» e que «uma menor de 15 ou 16 anos não se educa à bofetada».


O caso é contado na edição desta sexta-feira do jornal Público, que revela que esta sentença foi confirmada pela Relação de Guimarães.
A bofetada foi dada no meio da rua há um ano, quando a filha de Ilídio, separado, se recusou a regressar a sua casa após ter tido férias com a mãe, conforme estipulado na regulação do poder paternal.
Tendo encontrado a filha adolescente na rua, os ânimos entre ambos exaltaram-se, e a rapariga bateu com as mãos no peito do pai, empurrando-o. E recebeu em troca uma bofetada na cara.

Fonte

O meu comentário:

Visto que acho que o que aqui está em discussão é mais do que o acto da bofetada em si, mas um pouco de pedagogia, vou falar desse assunto..

Acho que os filhos devem ter uma palavra a dizer no que toca ao que se passa numa casa, e daí é que surge o sentido de democracia, que cresce com a pessoa desde muito cedo.

No entanto, acho que o que se passou é uma vergonha para esta nação pelo precedente que pode abrir... Com que legitimidade é que fica agora o encarregado de educação para negar alguma coisa à criança? Isto mina a relação pais-filhos de uma maneira alarmante...

Uma criança que faz isto uma vez faz outra e outra! Onde já se viu um miúdo ligar para a defesa da criança porque o pai lhe deu uma bofetada, por exemplo? É isso e as birras de mimo de algumas crianças que já deveriam ter idade para ter juízo. O exemplo mais gritante é no supermercado, com os pais envergonhados a meter o brinquedo para o carrinho para acabar a discussão em frente a toda a gente.

Eu acho que isto acontece porque as pessoas neste país vivem de aparências. Tanta vez dão a ideia de ficar do lado da criança, olhando para os pais com desdém, e assumindo implicitamente o "coitadinho, se fosse o meu filho eu dava [pois até tenho um certo nível de vida que me permite, ou algo do género]".

Por outro lado, se passarem por pelo filho e disserem "cala-te miúdo, não vês que estás a envergonhar os teus pais?", é o próprio pai que diz "meta-se na sua vida, o filho é meu" para não dar parte de fraco! É um perfeito exemplo de quando não se dá a educação em casa, a sociedade vai compensar esse défice. É como um puto mimado que vai para a escola pela primeira vez, fazer o que faz em casa, e acaba por levar tareia dos colegas. Neste caso, a pessoa que tece o comentário está a contribuir para a educação da criança, a outro nível, e acaba por ser censurada. Enfim, são os nossos brandos costumes!

Li algures que estamos a criar uma geração de "pequenos tiranos" que exigem tudo e mais alguma coisa. Sob o pretexto de "Queremos dar aos nossos filhos tudo aquilo que não tivemos", as pessoas tornam-se condescendentes ao ponto de satisfazer os mais pequenos caprichos dos seus rebentos. Isto surge porque algumas pessoas são preguiçosas, na minha opinião.

Em alguns casos, é mais fácil dar a uma criança o que ela quer, mesmo que se façam alguns sacrifícios, do que sentar-se com ela e explicar-lhe o valor do dinheiro. As birras constantes e pequenas chantagens que todos nós fazíamos, enquanto crianças, não surtiam efeito pelo simples facto de que antigamente não havia este sentido generalizado de "se o outro tem, também tenho que ter", pelo simples facto de que toda a gente tinha menos dinheiro, e não havia o hábito de gastar o que não se tem. Agora, com a geração "moranguito" e coisas do género, torna-se insuportável ver o que (alguma, felizmente!) da juventude das gerações mais recentes se está a tornar.

Julgo que a criança deve ser ensinada desde muito cedo a dar valor ao dinheiro (e indirectamente das coisas que pede no supermercado por exemplo). E sim, custa muito mostrar-lhe o sacrifício que é necessário fazer para que ele entre em casa. O problema é que quando a criança é muito jovem, não compreeende nada se, por exemplo, os pais a levarem um dia para o local de trabalho (se possível) para ela ver porque razão o pai/mãe sai de manhã e só entra à noite. Isto é só um exemplo, que por acaso sucedeu comigo. O meu pai levou-me várias vezes com ele quando eu estava de férias, e gostei bastante dessas viagens. A partir daí, posso dizer que ficava com outra visão do que custava aos meus pais por o pão em cima da mesa.

Dizia Freud que nós temos fases de desenvolvimento, em que o prazer surge de diversas fontes, e essas fontes vão evoluindo à medida que crescemos, das mais básicas para as mais sofisticadas. Não sou psicólogo, nem me lembro agora do nome da teoria, mas a ideia é mostrar aqui a evolução. Quando as crianças são muito pequenas e não podemos sentar-nos com elas e explicar-lhes as coisas porque simplesmente não compreendem. Nestes casos, a bofetada ocasional ou umas valentes palmadas no rabo nunca fizeram mal a ninguém. São a maneira mais simples lhe de mostrar que não gostámos da acção dela e que não a deve tornar a repetir.

Agora o meu desabafo...O problema é esta nação tem tão pouco de que se orgulhar para além da sua selecção de futebol...e mesmo assim... Isto também se vê na educação dos filhos. Não há a mínima consciência de sociedade, é tudo concentrado no "um dia se estudares serás alguém, [serás visto como melhor que os outros]". Precisávamos de um pouco mais de "não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas sim o que tu podes fazer pelo teu país". Se houvesse um bocadinho mais do sentido de corpo que se vê em países como Israel ou o Japão, as pessoas poderiam também deixar de criar gerações de miúdos mimados e começavam a pensar em criar crianças mais habituadas a alguns sacrifícios.

Autonomia da Madeira... já cheira mal!

Alberto João Jardim está descontente com o veto da lei do Tabaco na Madeira:

Estamos fartos deste Estado central. Ou vamos encontrar novas soluções de articulação da Madeira [...] ou então alguém em Lisboa está a querer estabelecer um clima de choque permanente entre os direitos do povo madeirense e o Estado central.

declarou Jardim.

Fonte

O meu comentário:

Mais uma vez se ouve o presidente da Região Autónoma da Madeira protestar contra as decisões do governo central no Continente.

Sinceramente, isto já cheira mal. É verdade que este senhor já há muito que não é levado a sério, mas tem que haver limites. Estou farto de o ver entrar pelas nossas casas adentro com estas declarações de desafio e constantes exigências.

Desta vez, está em causa o direito ou não dos proprietários dos estabelecimentos comerciais com menos de 100 metros quadrados poderem optar por proibir ou não o fumo. Isto relaxando as condições necessárias para que se possa fumar em dado local fechado, como estipulado para o continente:

Pode ser permitido fumar em áreas expressamente previstas para o efeito desde que obedeçam aos requisitos seguintes:
a) Estejam devidamente sinalizadas, com afixação de dísticos em locais visíveis, nos termos do disposto no artigo 6.º;
b) Sejam separadas fisicamente das restantes instalações, ou disponham de dispositivo de ventilação, ou qualquer outro, desde que autónomo, que evite que o fumo se espalhe às áreas contíguas;
c) Seja garantida a ventilação directa para o exterior através de sistema de extracção de ar que proteja dos efeitos do fumo os trabalhadores e os clientes não fumadores.

Artigo 5.º da
Lei n.º 37/2007 de 14 de Agosto

Porque raio é que a lei do Tabaco haveria de ser diferente na Madeira? Para todos os efeitos, a Madeira (ainda!) é território nacional e como tal deverá obedecer às leis Portuguesas. Muito bem, deverão haver pequenas atenções aqui e ali, pois é uma região autónoma com uma cultura própria, etc etc. Mas acho que neste caso isso não se aplica. Será que um fumador passivo sofre menos com o fumo do tabaco por ser madeirense e não do Continente?

Alberto João aproveitou também para trazer à baila o assunto da revisão constitucional que considera essencial para que a Madeira se aproxime mais da sua visão de "autonomia".

Ora, eu digo:
Independência para a Madeira JÁ!

Passo a analisar os prós e os contras:

Prós:

Deixava de haver problemas na altura das aprovações dos Orçamentos de Estado, com as queixas por parte do Governo Regional da Madeira. Estas queixas compreendem sempre supostos cortes orçamentais exagerados, como se viu há bem pouco tempo. Se "todo" o país aperta o cinto, acho justo que a Madeira também acompanhe a tendência...


É nestas alturas de ânimos exacerbados que se vê um pouco da verdadeira face dos governantes. O Sr. Alberto João socorre-se da retórica populista e demagógica para exaltar os ânimos, à boa maneira dos agitadores de meia tigela. Vejamos este exemplo, proferido na altura pelo Sr. Alberto João:


"Ou este país se vê livre deste ministro das Finanças, que não tem condições para exercer o cargo que lhe deram, ou mais desemprego, mais fome e mais tragédias cairão em muitos lares de portugueses"


Resta saber se realmente a Madeira é assim tão prejudicada ou se pelo contrário vive à custa do Continente. Na altura insinuaram-se as duas coisas, mas como não é claro, vou deixar este ponto por aqui.

Deixávamos de ter que aturar os caprichos do Sr. Alberto João, que denotam um desejo retorcido de governar a seu bel-prazer os destinos de uma nação. Eu digo: faça-se um referendo ao povo madeirense. Se quiserem indepenência, faça-se a sua vontade! Mesmo que isso implique o seu atraso social, socorrendo-se o governo de umas quantas "grandes obras públicas" para mostrar serviço... Onde é que já vi isto...?

Contras:

As empresas Portuguesas deixariam de ter à sua disposição a Madeira como offshore, nos moldes actuais...

As bananas e o vinho da Madeira deixariam de ser considerados produtos Portugueses... Eu até gosto das bananas, mas não sentia a falta do rótulo!

O governo do Continente ficaria mais à-vontade para fazer das suas, com menos um indivíduo a pisar-lhes os calos!

O povo madeirense acabaria por sofrer as consequências de um regime que não passaria de uma ditadura encapotada...
Mas pelo menos tinham o que queriam. Em abono da verdade, não que no Continente se esteja melhor, com uma maioria que impõe a sua vontade na AR, perante uma oposição frouxa, monotónica e desinteressante!


Enfim, isto é dito em tom de brincadeira, mas a verdade é que este separatismo barato começa mesmo a cheirar mal!!